
Banco de Portugal, BPN e empresas de auditoria escudaram-se atrás do confortável chapéu do sigilo profissional para se recusarem a prestar a informação solicitada pela comissão parlamentar de inquérito ao BPN. Entre a informação “sigilosa” estavam os secretíssimas relatórios de auditoria e a troca de correspondência entre o Banco de Portugal e o banco de Oliveira e Costa. Uma das auditoras, a Ernst & Young, chegou mesmo ao desplante de dizer que “não tem em arquivo a informação solicitada”.
Para que se perceba o absurdo desta decisão, basta lembrar que os mesmos deputados sem os quais seria impossível nacionalizar o BPN se encontram assim impedidos de aceder aos documentos necessários para avaliar as condições que conduziram à intervenção pública neste banco e ao modo como o processo foi acompanhado pelo supervisor.
É normal que, perante o descrédito de partidos e parlamentares, tal decisão não cause grande indignação ou mereça o apoio mais ou menos encoberto de muito boa gente. Mas não nos enganemos. Uma tão grande convergência só é possível graças à sensação de impunidade e à opacidade que norteia a actuação destas entidades. Banco de Portugal, auditores e bancos vivem num circuito fechado de interesses coincidentes e convergentes, nos quais todos se conhecem e tratam por tu.
É neste restrito clube das “pessoas respeitáveis”, para usar a sintomática expressão de Vítor Constâncio, que os truques de uns tendem a ser abafados e esquecidos porque expõem os erros e omissões dos outros. Entretanto, a comissão parlamentar de inquérito, que dispõe de poderes equiparados aos de uma investigação judicial, admite recorrer para o tribunal da relação para obter os referidos documentos. Quem sabe continuam a dizer que não os encontram. O pior, bem, o pior é se é mesmo verdade…
6 comentários Por Pedro Sales 7 Jan 09 em Sem categoria“Estamos a assistir a um combate de David (os palestinianos com os seus roquetes, armas ligeiras e fundas com pedras…) contra Golias (os israelitas com os seus mísseis teleguiados, aviões, tanques e se necessário…a arma atómica!).
Estranha guerra esta em que o “agressor”, os palestinianos, têm 100 vezes mais baixas em mortos e feridos do que os “agredidos”. Nunca antes visto nos anais militares!
Hoje Gaza, com metade a um terço da superfície do Algarve e um milhão e meio de habitantes, é uma enorme prisão. Honra seja feita aos “heróis” que bombardeiam com meios ultra-sofisticados uma prisão praticamente desarmada (onde estão os aviões e tanques palestinianos?) e sem fuga possível, à semelhança do que faziam os nazis com os judeus fechados no Gueto de Varsóvia!”
Ler texto completo de Fernando Nobre (presidente da AMI) aqui.
16 comentários Por Daniel Oliveira 7 Jan 09 em Sem categoriaAltos responsáveis de países que se consideram faróis da «civilização» multiplicam apelos à «contenção» e ao «cessar-fogo» em Gaza, como quem procura assim cumprir uma obrigação perante o «agravamento da crise» no Médio Oriente. (…) Tais apelos baseiam-se na objectividade de um pretenso distanciamento entre as «partes em conflito», assim se exigindo uma rigorosa simetria de comportamentos como numa guerra convencional entre exércitos clássicos. Simetria, pois, entre civis indefesos e as forças armadas que ocupam o quarto lugar no ranking das mais poderosas do mundo; entre ocupados e ocupantes; entre morteiros mais ou menos artesanais e o poder de fogo dos F-16 e dos tanques de última geração; entre comunidades famintas sujeitas há anos a um feroz bloqueio de bens essenciais e uma nação estruturada apoiada sem limites pelo mais poderoso país do planeta. (…)
O Hamas quebrou a trégua e tem de pagar, devendo desde já sujeitar-se ao regresso ao cessar-fogo faça o inimigo o que fizer, sentenciam os diplomatas civilizados. Trégua que verdadeiramente nunca existiu, uma vez que foi desde logo desrespeitada pelo Estado de Israel ao violar um dos seus pressupostos essenciais: o fim do bloqueio humanitário a Gaza. Durante os últimos seis meses o cerco não apenas se manteve como se apertou.
Indispensável ler o texto completo de José Goulão. No site do Le Monde Diplomatique.
17 comentários Por Daniel Oliveira 7 Jan 09 em Sem categoria© rabiscos vieira
também servia para fabricar prémios nobel da literatura por encomenda.
via A Terceira Noite
12 comentários Por Pedro Vieira 7 Jan 09 em Sem categoria
Carta de Uri Avnery (ex-deputado do Knesset e soldado que ajudou a fundar Israel em 1948) a Barack Obama, enviada no final de Dezembro (via Sem Muros):
“1) No que se refere à paz israelo-árabe, o senhor deve agir desde o primeiro dia.
2) As eleições em Israel realizam-se em Fevereiro de 2009. O senhor pode ter um impacto indirecto, mas importante e construtivo já no começo, anunciando sua determinação inequívoca de conseguir paz israelo-palestiniana, israelo-síria e israelo-pan-árabe, em 2009.
3) Infelizmente, todos os seus predecessores desde 1967 jogaram duplamente. Apesar de terem falado de paz da boca para fora e, por vezes, terem realizado gestos que revelaram algum esforço nessa direcção, na prática apoiavam os nossos governos no seu movimento contrário a esse esforço. Particularmente, deram aprovação tácita à construção e ao crescimento dos colonatos de Israel nos territórios ocupados da Palestina e da Síria, cada um dos quais é uma mina subterrânea na estrada da paz.
4) Todos os colonatos são ilegais à luz da lei internacional. A distinção, que por vezes é feita, entre postos “ilegais” e os outros assentamentos é pura propaganda para mascarar essa simples verdade.
CONTINUAR A LER NO LINK EM BAIXO
Continue a ler ‘Carta a Obama: uma paz justa é possível’
42 comentários Por Daniel Oliveira 7 Jan 09 em Sem categoria© rabiscos vieira
enquanto os media lá vão mostrando a faceta ceifeira-debulhadora das patentes israelitas jd salinger dobrou os 90 anos. de fininho, como convém a um bom eremita, curiosamente filho de um vendedor de queijo kosher. aquele (este) abraço, claro.
6 comentários Por Pedro Vieira 6 Jan 09 em Sem categoriaA sensação que fica da entrevista a José Sócrates é que o seu governo tomou posse em Outubro de 2008 e foi apanhado no meio de uma crise financeira mundial. Até lá, de acordo com um primeiro-ministro demasiado satisfeito consigo próprio, tudo corria bem. O país diverge há oito anos da média europeia e o poder de compra esteve sempre a descer durante o mandato do actual governo, mas o que é isso quando temos as maiores centrais de energias renováveis, a nova rede de fibra óptica e o Magalhães. O primeiro-ministro fala em confiança, mas ela perde-se em escusados truques de linguagem como a do orçamento rectificativo, que só falta saber o dia em que vai ser apresentado, mas a que José Sócrates engenhosamente chama de revisão das previsões que serviram de base para o Orçamento de Estado.
13 comentários Por Pedro Sales 6 Jan 09 em Sem categoriaNunca me tinha apercebido, até à entrevista de ontem e à leitura da generalidade dos artigos de opinião do fim-de-semana, que vivíamos num país com um regime presidencialista. Estamos sempre a aprender.
1 comentário Por Pedro Sales 6 Jan 09 em Açores
Sócrates esteve bem no início da entrevista na SIC e começou a enterrar-se nos contratos para as obras públicas. Na banca esteve igualmente mal. Recuperou no fim. Ainda assim, Sócrates continua a ter, como entrevistado, uma excelente técnica: a da matraca. Não se deixando interromper acaba por conseguir dirigir o rumo da conversa e, acima de tudo, o tempo em que se fica em cada assunto. Resulta, apesar de não criar empatia. Com esta limitação, os entrevistadores estiveram, ao contrário da anterior entrevista na SIC, muitíssimo bem. Foi a mais aguerrida, sistemática e bem estruturada entrevista feita até hoje a este primeiro-ministro. Ainda assim, Sócrates aguentou-se. Contrariado, por vezes agastado, mas aguentou-se.
68 comentários Por Daniel Oliveira 5 Jan 09 em Sem categoriaHá televisões que têm correspondentes em Israel. A SIC tem um correspondente de Israel. Cymerman não falha. Pouco interessa que haja uma invasão de Gaza e que por lá já tenham morrido, em 10 dias, meio milhar de pessoas. Ele compra a agenda do governo israelita sem se deixar influenciar pelos acontecimentos.
92 comentários Por Daniel Oliveira 5 Jan 09 em Sem categoriano passado dia 2 de janeiro gorbachov interroga-se no international herald tribune se “depois dos fenómenos catastróficos a nível económico, social, político, migratório e ecológico teremos conseguido compreender que estamos completamente dependentes e vulneráveis perante a globalização”. a cada lágrima o seu crocodilo.
2 comentários Por Pedro Vieira 5 Jan 09 em Sem categoriaPara não variar, e da forma já um pouco previsível, Pacheco Pereira repete que, tirando ele próprio e mais 1% da humanidade, o Mundo que o rodeia é abaixo de cão. A imprensa, a blogosfera e o PSD em particular, não fossem os lugares onde a existência de mundo distrai os incautos de quem realmente é relevante.
Mas, para economizar, o seu maior desprezo vai para os jornalistas que escrevem em blogues (matam-se assim dois coelhos de uma cajadada), que só mandam “bocas” e tratam de “ajustes de contas” (vale a pena ver como Pacheco Pereira sempre usou, com toda a legitimidade, a blogosfera para os conflitos internos do seu partido para perceber que Frei Tomás sempre foi bom pregador). Podia fazer, para Pacheco Pereira se informar, uma lista de excelentes bloggers/jornalistas, onde seguramente incluiria pessoas como José Milhazes, José Mário Silva, António Granado, Rita Siza … Mas não vale a pena. Na verdade, e apesar de estar há tanto tempo na blogosfera, Pacheco Pereira é especialista em “Abrupto”, mas nada compreendeu sobre o que a blogosfera trouxe de novo ao debate em Portugal. A começar pela sua interactividade, a sua democracia e a sua variedade.
De todos os bloggers mais ou menos mediáticos, Pacheco Pereira foi o único incapaz de incorporar a novidade de um meio onde não há lugares cativos e que todas as opiniões se confrontam, independentemente de quem as assina. Para Pacheco Pereira um blogue é um púlpito, igual a uma qualquer coluna de jornal ou debate televisivo. Falando pela minha limitada experiência, não é. É muito mais desgastante, porque estamos muito mais expostos às críticas e porque há menos filtros. E é por isso que ter um blogue, sobretudo se for lido, é, para quem tenha outros “palcos”, um banho diário de humildade. Responder aos comentários, ser bombardeado com críticas, ser imediatamente desmentido quando nos enganamos, ser desfeito em público quando nos excedemos… Na realidade, é mais do que um exercício de humildade. É uma violenta experiência democrática.
Claro que Pacheco Pereira não é obrigado a seguir nenhuma regra ou etiqueta (a blogosfera é isso mesmo, um espaço de liberdade onde cada um está como quer estar). Mas esta incompreensão limita-o em todas as análises que faz.
Talvez Pacheco Pereira devesse afastar-se um pouco do seu umbigo e variar as visitas que faz para, com propriedade, fazer uma análise séria, que não sejam apenas “bocas”, sobre a blogosfera nacional, a sua relação com o jornalismo, o papel dos jornalistas na blogosfera e dos blogues no jornalismo. Até já há umas teses académicas (um pouco mais profundas que o seu pretensioso livro vermelho da blogosfera) sobre estes assuntos e muita informação interessante disponível. Podia Pacheco Pereira, por exemplo, ir acompanhando o que Paulo Querido (outro jornalista) vai escrevendo e a informação que vai recolhendo sobre o fenómeno em Portugal.
Quanto ao que vai escrevendo sobre tudo o que envolva jornalistas, Pacheco Pereira nunca consegue ultrapassar o escalão “Fórum TSF”. Quem pode levar a sério qualquer debate que tenha como postulado geral que os jornalistas são um bando de indigentes. Na verdade, do jornalismo Pacheco Pereira conhece as conversas do corredor do Parlamento e um dia que passou a dirigir o “Público”. Que não consiga passar das “bocas” só espanta quem não leia as futilidades que vai escrevendo sobre o assunto, ao sabor dos seus conflitos políticos, ou quem, como ele, apenas se preocupe em tratar de “ajustes de contas”.
Sobre o que escreve, no mesmo post, em relação a jornais e televisões, nem comento. É bom, é mau, está pior, está melhor, é péssimo. Para quem pede mais trabalho e menos preguiça no que se escreve e diz, estamos bem servidos.
39 comentários Por Daniel Oliveira 5 Jan 09 em Sem categoria
Já tinha ouvido falar da pressão que os petizes fazem para ter um telemóvel quando ainda estão a aprender a soletrar as primeiras letras. Isso é uma coisa. Outra é chegar a casa e reparar que o novo casaco do meu filho de quatro anos tem um bolso interior para colocar um telemóvel. Bem sei que a etiqueta diz que é para seis anos, mas, que raios, quatro ou seis vai dar tudo ao mesmo. Para que é que serve um telemóvel para miúdos que, quando não estão com a família, estão na creche ou na escola? De pequenino se torce o tumor cerebral, só pode.
4 comentários Por Pedro Sales 5 Jan 09 em Sem categoriaA equipa do Corta-Fitas e os seus leitores elegeram o Arrastão como melhor blogue de 2008. Sendo um blogue que lemos com atenção e com quem tantas vezes tivemos divergências de opinião, a escolha tem um gosto especial. Para o Corta-Fitas vão os nossos agradecimentos.
6 comentários Por Arrastão 5 Jan 09 em Sem categoriaNa realidade, Israel quer o mesmo que Ahmadinejad e o Hamas: riscar o vizinho do mapa. Apenas uma diferença: o seu propósito está cada vez mais próximo. E, perante isto, o mundo exige aos palestinianos reiteradas provas de estoicismo e subserviência enquanto aceita com bonomia cada atropelo às mais elementares regras do direito internacional por parte de Israel.
Ler o texto ou comentar aqui
Sem comentários Por Daniel Oliveira 5 Jan 09 em Sem categoriaAqui ficam umas imagens de mais alguns dos que, segundo os guerreiros de sofá que, de longe, salivam por cada guerra que lhe oferecem na televisão (foi assim com o Iraque, voltam à carga de novo), se manifestaram para “louvar a besta”. São israelitas corajosos. Foi ontem, em Telaviv.
88 comentários Por Daniel Oliveira 4 Jan 09 em Sem categoriaQuem quiser acompanhar tudo o que se vai escrevendo sobre a invasão de Gaza pode ir aqui.
3 comentários Por Daniel Oliveira 4 Jan 09 em Sem categoria“Não há comida, não há gás”
“O meu pai foi à padaria ontem e esperou cinco horas por um saco de pão que não foi suficiente para alimentar a minha família de 11 pessoas. “Hoje fui eu tentar correr todas as padarias, mas não encontrei nem uma fatia de pão – as padarias estavam todas fechadas.”
“Os mísseis caem nas nossas casas, mesquitas, mercados e até hospitais. Não há um sítio seguro para onde possamos ir.”
Mohammed al-Majdelawi, trabalhador de uma ONG e documentarista, que vive no campo de refugiados de Jabaliya, na Cidade de Gaza
“Não há o que comer. Não há electricidade, e não havendo electricidade não há água. Não há gás.”
“É um pesadelo para quem quer que esteja aqui – não há para onde fugir”.
“Tenho dois dos meus filhos doentes, com gripe, porque temos de deixar as janelas abertas – senão o vidro pode partir e os estilhaços podem acertar em alguém, para além de que não há vidro no mercado”
“É difícil tentar explicar todo o nosso sofrimento. Eu pergunto ao mundo: como viveriam sem electricidade, com casas destruídas, mísseis a cair noite e dia, e sem comida. Imaginem as vossas crianças a dizer que não conseguem dormir por causa do barulho dos aviões….”
“Estes geradores estão quase a ficar sem combustível para funcionar. E quando isso acontecer o que vai acontecer às pessoas que estão nos cuidados intensivos, bebés nas incubadores? Esta é uma catástrofe iminente.”
Azmi Keshawi, jornalista de Gaza
Depoimentos recolhidos pelo Público
9 comentários Por Daniel Oliveira 4 Jan 09 em Sem categoria
5 de Janeiro, 18 horas, Largo de S. Domingos (Rossio) Lisboa
8 de Janeiro, 18 horas, Embaixada de Israel, R. António Enes, Lisboa
A ofensiva israelita contra Gaza é… um crime, excessiva, compreensível, uma necessidade.
47 comentários Por Daniel Oliveira 4 Jan 09 em Sem categoriaO mais relevante deste documentário, realizado em 2006, não é qualquer discussão absurda sobre a legitimidade histórica para a existência de nenhum Estado: nem o de Israel, nem o da Palestina. É, para lá de tantos mitos, de tanta propaganda e de tanta ignorância, fazer um retrato diferente do que se passa ali.
20 comentários Por Daniel Oliveira 3 Jan 09 em Sem categoriaPara os que insistem em confundir, por mero oportunismo argumentativo ou má-fé, a minha oposição frontal ao comportamento do governo de Israel para com os palestinianos e a sua ofensiva em Gaza, deixo aqui o texto que escrevi, a quando dos 60 anos do aniversário do nascimento de Israel. Confundir estes debates e colar a mais do que justa indignação para com o que está a acontecer aos palestinianos ao anti-sionismo ou, muito mais aviltante, ao anti-semitismo, é um acto de cobardia e de chantagem no debate.
Talvez um dia
Israel nasceu há 60 anos. Devia ser um momento de festa. O povo judeu, perseguido durante séculos em quase todos os pontos do planeta, encontrou um espaço para se sentir seguro e aí defender a sua própria identidade. Ao contrário de muita esquerda e de muita direita, defendo a existência de um Estado de Israel e sei que nenhuma Nação nasceu com facilidade ou sem erros. E mesmo se esta não fosse a minha posição de sempre, o Estado de Israel existe e esse é um facto irreversível.
Recuso-me a discutir o direito de um povo a viver num lugar centrando o debate em argumentos de legimitidade histórica. Isso só me poderia levar a ter uma posição diferente daquela que tenho em relação à imigração, por exemplo. Esse é um debate que não me interessa.
Mais: muitos dos que criticam o Estado de Israel não o fazem por causa do comportamento dos seus governos em relação aos palestinianos mas por um ancestral racismo anti-judeu. Desses, quero distância. Não há racismos toleráveis e o racismo contra os judeus tem uma longa e monstruosa história. Do lado oposto (na realidade o lado é o mesmo), não tem faltado quem use a história do sofrimento do povo judeu para dar largas ao seu próprio racismo, desta vez contra os muçulmanos, como se o racismo fosse mais aceitável por procurar a sua legitimidade no sofrimento passado de outros. Desses, quero distância. Não há racismos toleráveis e o racismo contra os muçulmanos é o anti-semitismo do século XXI. Só nos poderá levar à mesma tragédia.
Infelizmente, o Estado de Israel e o sionismo (que teve originalmente correntes generosas, igualitárias e até de cariz socializante) foi tomado por um nacionalismo xenófobo e militarizado. O desrespeito pelo povo palestiniano, pelos seus direitos e pela sua liberdade, os crimes continuados e até a repetição de algumas formas de acção contra os palestinianos (criação de guetos, punições colectivas, roubo de propriedades, bestialização do outro) que no passado foram usadas contra os judeus, mancha de forma insuportável a história de Israel.
60 anos depois, é contraditório o balanço. O povo judeu deixou de ser a vítima e não aceitou mais a perseguição. Conquistou a sua dignidade e a sua liberdade. E isso, para gente decente, só pode ser motivo de alegria. Mas o Estado de Israel, ao transformar-se em carrasco, ao ceder ao anti-semitismo (desta vez contra os outros semitas), desrespeitou a memória do seu povo.
Felizmente, entre judeus e israelitas, há gente que não esquece de onde vem e bate-se por outra narrativa. Conheci vários em Israel. Gente generosa e com raízes fortes na sua própria história de sofrimento. Felizmente, entre palestinianos, há quem não ceda à violência e saiba que a resistência pacifica é o único caminho que pode levar a algum lado. Conheci vários na Palestina.
A uns e outros raramente o Mundo dá ouvidos. Mas é por causa deles que me resta esperança. Esperança de que mais cedo do que tarde os palestinianos celebrem alguns anos da fundação do seu próprio Estado e da sua dignidade, em paz com o seu vizinho e com condições de decência mínima. E que judeus e muçulmanos descubram que as dificuldades das suas histórias são o que os une. Porque são muito mais próximos do que os racistas contra uns e contra outros julgam. Talvez um dia se possa finalmente festejar sem esquecer nenhuma vítima e sem premiar nenhum carrasco.
31 comentários Por Daniel Oliveira 3 Jan 09 em Sem categoria
22 de Julho de 1946, Jerusalém: atentado ao Hotel King David. Morreram 91 pessoas. Acção executada pelo Irgun (de onde nasceu o Herut que integrou o Likud), comandado então por Menachem Begin, mais tarde primeiro-ministro de Israel. O 60º aniversário do atentado foi celebrado há dois anos pelo ex-primeiro-ministro Benjamin Netanyahu.
67 comentários Por Daniel Oliveira 2 Jan 09 em Sem categoria1,4 milhões de habitantes
60% da população composta por refugiados
48,1% da população com menos 14 anos
360 km² de área (pouco mais do que o concelho de Tomar)
População alfabetizada (mais de 15 anos): 92.4% (Portugal: 93.3%)
Esperança média de vida: 72 anos (Portugal: 78)
A viver abaixo do limiar de pobreza, em 2006: 63%
A viver abaixo do limiar de pobreza, em 2008: 80%
Gastos de cada agregado familiar em comida em 2004: 37%
Gastos de cada agregado familiar em comida em 2007: 62%
População dependente da ajuda alimentar (Março de 2008): 1,1 milhões
Taxa de desemprego: 40%
Disel disponível para abastecer os geradores dos hospitais: 30% a 40% do necessário
Máquinas de raio-x estragadas por causa dos cortes eléctricos: 80%
Ambulâncias destruídas: 80% da frota
Israelitas mortos pelos rockets lançados de Gaza desde 2001: 23
Palestinianos de Gaza mortos pelas forças israelitas na última semana: 421
Civis palestinianos de Gaza mortos pelas forças israelitas entre Setembro de 2000 e Agosto de 2008: 2,051 (Gaza e Cisjordânia: 3727 - 848 crianças)
Palestinianos de Gaza feridos pelas forças israelitas entre Setembro de 2000 e Agosto de 2008:12,261
Casas de Gaza totalmente demolidas por Israel entre Setembro de 2000 e Agosto de 2008: 2,996
Casas de Gaza parcialmente demolidas por Israel entre Setembro de 2000 e Agosto de 2008: 3,264
Nem todos os números estão actualizados
22 comentários Por Daniel Oliveira 2 Jan 09 em Sem categoriaNo dia em que se soube que Inglorious Basterds será o primeiro filme de Tarantino a estrear em Agosto, o mês que Hollywood tradicionalmente reserva para os grandes sucessos comerciais, vale a pena recordar Inside Tarantino´s mind, um pequeno filme brasileiro, com Seu Jorge num dos papéis, onde dois amigos se encontram num café para discutir o “código” para a suposta chave da interpretação dos filmes do autor de Cães Danados.
5 comentários Por Pedro Sales 2 Jan 09 em Sem categoria“O tempo perdido deve ser sempre lamentado. Mas, no Médio Oriente, perder tempo também é perigoso. Mais um ano passou em que foram escassos os progressos na superação das divergências entre palestinianos e israelitas. Os ataques aéreos dos últimos dias a Gaza e os disparos ininterruptos de rockets contra Ashkelon, Sderot e outras cidades do Sul de Israel apenas provam quão terrível a situação se está a tornar.
O impasse ao nível da segurança que existe entre Israel e a liderança palestiniana em Gaza também conduziu aos bloqueios de ajuda alimentar por Israel, que obrigaram os 1,5 milhões de habitantes de Gaza a enfrentar uma situação de fome real. Israel, ao que parece, continua a enfatizar a primazia da segurança “dura” nas suas negociações com os palestinianos de Gaza, mas essa ênfase serve apenas para bloquear oportunidades para soluções criativas e não-violentas da disputa entre Israel e a Palestina.
Para agravar a situação, os políticos israelitas continuam empenhados em aumentar ainda mais os colonatos israelitas na Cisjordânia. Encostados à parede desta maneira, muitos palestinianos começam a não ver alternativa às tácticas radicais para atingir as suas aspirações nacionais. Uma vez que isto significa o risco de ainda mais violência, é crucial que os parceiros regionais de Israel e os actores internacionais compreendam que os palestinianos nunca serão afastados do seu objectivo estratégico de alcançar um Estado independente. O povo palestiniano nunca abandonará a sua luta nacional.
Tanto os israelitas como os palestinianos devem compreender que o mero uso da força nunca será suficiente para alcançar os seus objectivos de longo prazo. O que é necessário é uma opção viável que o partido contrário possa adoptar para que não haja recurso à violência. Embora a força por vezes tenha os seus usos, uma paz estável e duradoura apenas pode ser alcançada através de uma solução integradora de compromisso.
A resolução de conflitos, para ser bem sucedida, requer que a energia gerada pelo conflito seja canalizada para alternativas construtivas e não-violentas. Este desviar da energia da guerra pode ocorrer em qualquer patamar do ciclo de escalada, mas se a construção de uma paz preventiva não for lançada quando surgem os primeiros sinais de conflitualidade e os problemas permanecerem sem resposta à medida que o conflito se intensifica (especialmente quando se torna violento), algum tipo de intervenção é necessário.
Só então a conciliação, a mediação, a negociação, a arbitragem e os processos de resolução cooperativa dos problemas podem estabelecer-se a si mesmos. Em última análise, a reconstrução e a reconciliação são os únicos meios viáveis para trazer a estabilidade, uma vez que esta não pode ser imposta.
Nada disto é surpreendente. Mas isso obriga a questionar por que não foi feito um esforço mais concertado e concentrado na transformação da situação em Gaza e na Palestina. Um protectorado internacional nesta área para proteger os palestinianos dos mais perigosos dos seus elementos, os palestinianos dos israelitas e talvez os israelitas de si próprios já foi proposta, mas recebeu um escasso reconhecimento.
É a falta de uma tentativa coordenada para estruturar um acordo entre israelitas e palestinianos - com base numa abordagem inclusiva, interdisciplinar e sistémica que possa mudar as variáveis e conduzir a uma paz que os dois povos considerem equilibrada e justa - que mais preocupa aqueles de nós que trabalham na resolução de crises internacionais.
Um dos elementos-chave para construir uma base que conduza à reconciliação deve ser o crescimento económico. Tal como o Banco Mundial tem sublinhado repetidamente, existe uma forte correlação entre pobreza e conflito. Portanto, ultrapassar o défice de dignidade humana, a barreira entre os que têm e os que não têm, é essencial para conseguir qualquer acordo político viável entre palestinianos e israelitas. Porém, os esforços nesta área são feitos peça a peça - e são portanto insuficientes para oferecer uma esperança real de melhores condições de vida.
Os palestinianos e os israelitas precisam de estabelecer diálogos viáveis através das enormes fissuras sociais que os separam, bem como diálogos entre as autoridades e as pessoas comuns que vivem num estado de confusão face ao que é feito em seu nome. A confiança tem de ser restabelecida se queremos que as partes compreendam como poderão ultrapassar inimizades do passado. Apenas o princípio da confiança pública poderá levar a que os problemas sejam correctamente diagnosticados e resolvidos.
Evidentemente, os problemas de Israel no plano da segurança têm de ser compreendidos por todas as partes, mas medidas que ajudem à construção de um clima de confiança mútua, vindos de todas as partes, também são necessários. Aquilo de que mais precisamos agora é de uma mensagem clara afirmando que o diálogo, e não a violência, é o caminho para seguir em frente neste tempo de grande tensão.
Em Gaza, está em jogo o sentido básico de decência da humanidade. O sofrimento e a destruição arbitrária da vida das pessoas, o desespero e a ausência de dignidade humana nesta região duram há demasiado tempo. Os palestinianos em Gaza - na verdade, aqueles em toda a região que vivem as vidas mais marcadas pela falta de esperança - não podem esperar que novas administrações ou instituições internacionais ajam. Se não quisermos que o Crescente Fértil se torne num crescente fútil, temos de acordar e de ter a coragem moral e a visão política para que a Palestina dê um salto quântico.”
Vaclav Havel (dramaturgo e antigo Presidente da República Checa); Príncipe Hassan bin Tala (Presidente do Arab Thought Forum e o presidente honorário da Conferência Mundial das Religiões para a Paz); Hans Küng (Presidente da Fundação para uma Ética Global e professor de Teologia Ecuménica na Universidade de Tübingen); Mike Moore (antigo director da Organização Mundial do Comércio); Yohei Sasakawa (Presidente da Sasakawa Peace Foundation); Desmond Tutu (Prémio Nobel da Paz); Karel Schwarzenberg (ministro dos Negócios Estrangeiros da República Checa).
Texto publicado hoje no “Público”
…encontramos notícias com comparações tão pertinentes como esta: “A Liga dos Campeões em futebol distribuiu 5,065 mil milhões de euros em prémios aos 105 clubes que já passaram pelas 17 edições, uma verba que quase cobriria o défice actualizado por Portugal para 2009″.
7 comentários Por Pedro Sales 2 Jan 09 em Sem categoria“Os portugueses gostariam de perceber que a agenda da classe política está, de facto, centrada no combate à crise. As dificuldades que o País enfrenta exigem que os agentes políticos deixem de lado as querelas que em nada contribuem para melhorar a vida dos que perderam o emprego, dos que não conseguem suportar os encargos da prestação das suas casas ou da educação dos seus filhos, daqueles que são obrigados a pedir ajuda para as necessidades básicas da família.”
Cavaco Silva
Apesar dos protestos das organizações internacionais de jornalistas, Israel impede que a comunicação social seja testemunha do que se está a fazer em Gaza. Não podem entrar nem sequer aproximar-se. Assim, em vez de imagens e de informação, sobra a propaganda. E as vítimas não serão mais do que números. Que é tudo o que são para o governo de Telaviv. E agora também para o resto do Mundo.
Graças aos correspondentes palestinianos em Gaza vão chegando algumas imagens de feridos. Crianças de colo, sim. Mas terroristas com toda a certeza.
32 comentários Por Daniel Oliveira 1 Jan 09 em Sem categoriaUma direita órfã de representatividade politica, transferiu para a Presidência da República a expectativa de combate político com o Governo. São incontáveis os artigos e posts que se escreveram nos últimos meses a perscrutar cada suspiro, murmúrio ou declaração da presidência. Vinte e quatro horas. Foi esse o tempo que durou o seu último sobressalto, bruscamente interrompido com a promulgação sem espinhas do Orçamento de Estado. Não desesperem. Se não foi no OE é porque será no discurso de Ano Novo. Pois…Tão entretidos estão que nem se apercebem que o suposto protagonismo oposicionista de Cavaco Silva não é nenhum xeque ao governo, mas um xeque-mate ao PSD.
4 comentários Por Pedro Sales 31 Dez 08 em Cavaco Silva, Governo, PSD
Há uns anos, tornaram-se norma as manchetes do Expresso que eram desmentidas ao início da tarde. Agora, no Sol, são precisos três dias.
5 comentários Por Pedro Sales 31 Dez 08 em recados pela imprensa
Enquanto o Manchester gasta milhões para manter o Ronaldo nas suas fileiras e o Chelsea faz o mesmo com metade da equipa, o desfecho da milionária liga inglesa de futebol pode muito bem estar preso pelo dente partido de um desconhecido disc jockey. As imagens de Steven Gerard a sair de uma esquadra da polícia, depois de uma noite de desacatos numa discoteca da moda, já correram mundo. O que poucos falam, e é pena, é na rara dignidade do momento que originou a sua detenção.
Segundo o relato algo incompleto do Guardian, tu












