Main

outubro 18, 2007

Solidariedade inconsequente

Um militante do PSD apresentou uma queixa contra Pacheco Pereira ao Conselho de Jurisdição por ele ter, no seu blogue, posto o símbolo do partido de pernas para o ar. Estou solidário com Pacheco Pereira e acompanho-o na ousadia:

BE invertido.GIF

Temo que este meu gesto não provoque nenhuma tentativa de acção punitiva e tenha assim muito menos impacto. Apesar de Pacheco Pereira não se cansar de recordar que o partido de que sou militante não respeita a liberdade e a democracia, consta que os seus militantes são iconoclastas e, na verdade, um pouco mais libertários do que no partido de Pacheco. O facto do PSD ter um símbolo um pouco fálico é capaz de ter contribuido para o melindre dos que andam menos seguros em relação à virilidade do partido. Para baixo?

outubro 09, 2007

Simplex no Bota-Abaixo

Os 50 mil euros que o sócio-gerente da Bragaparques, Domingos Névoa, emprestou ao líder da concelhia de Coimbra do PS estão na origem da acusação de corrupção feita pelo Ministério Público a ambos. Domingos Névoa é acusado de corrupção passiva por ter emprestado os 50 mil euros, em 2002, a Luís Vilar, vereador da Câmara de Coimbra e presidente da concelhia socialista, que deu como contrapartida o voto favorável à construção de um parque de estacionamento na Baixa da cidade, numa zona conhecida por ‘Bota Abaixo’. (Via Troll Urbano)

outubro 08, 2007

Inquérito

O inquérito que aqui esteve nos últimos dias apenas permite conhecer o prefil partidário (apenas esse) dos leitores deste blogue. Não espanta, por isso, que a esquerda tenha aqui muito mais votos. Foram estes os resultados: 161 votos para o BE (36%), 120 votos para o PS (27%), 85 votos para o PCP (19%), 54 votos para o PSD (12%) e 28 votos para o CDS (6%).

O inquérito é substituído por outro, mais importante neste momento: Um novo tratado europeu deve ser referendado? Façam favor de opinar.

outubro 01, 2007

Inquérito

No inuérito às razões de voto dos militantes do PSD em Luís Filipe Menezes, ganhou a análise mais profunfa: "Porque Sim". Logo depois, "Porque Valentim Loureiro prometeu frigorificos a quem nao votasse em Mendes", "Porque os sobrinhos de Isaltino foram todos votar e "Porque o multibanco estava fora de servico". Agora um inquério um pouco mais sério: Se as eleições legislativas fossem hoje, votaria: PS, PSD, PCP-PEV, CDS ou BE.

Votem mesmo só uma vez.

setembro 28, 2007

Indirectas, já!

Estas são as primeiras directas realmente renhidas em qualquer partido. E nelas podemos ver todas as desvantagens desta nova moda. Os líderes são eleitos num momento diferente em que a orientação do partido é votada. O debate fica vazio. Os militantes acompanham a discussão pelos jornais. O debate é mediado. Os candidatos falam mais para dentro do que quando se dirigem a delegados, mais preparados para ponderar variantes externas ao partido. O partido expõem-se mais mas fecha-se. Os líderes desgastam-se ainda antes de o serem. E como directas difíceis só acontecem a quem está na oposição, fragilizam sobretudo quem já tem a tarefa dificultada. Os congressos são violentos, mas duram três dias. Dois meses depois de se atacarem, é mais difícil colar os cacos.

É verdade que as directas são, do ponto de vista interno, mais democráticas e mais transparentes. Mas fecham ainda mais os partidos em si mesmos, beneficiam o populismo e fragilizam quem está na oposição. E mais democracia nos partidos nem sempre se traduz em mais democracia no país. Todo o poder para o militante pode mesmo querer dizer menos poder para o eleitor.

O que seria verdadeiramente democrático: directas com o voto do eleitorado. Mas é viável? Se não é, mais valia voltar aos velhos congressos, sem lugares por inerência e com regras mais claras.

Post publicado no 31 da Armada

setembro 25, 2007

As pessoas estão onde as coisas se decidem e quando as coisas se decidem

vazio.jpg

Li o tão elogiado texto de Manuel Maria Carrilho sobre a crise dos partidos. Aqui vai uma lapalissada: a crise dos partidos em democracias representativas corresponde apenas a um sintoma da crise das formas de representação política. Mudanças na organização interna dos partidos pouco podem contra um problema que é muito mais profundo do que as formas de funcionamento partidário. Se os problema fosse esse as pessoas entrariam na mesma nos partidos e rapidamente eles passariam a funcionar de forma diferente. Os partidos são hoje como são porque as pessoas não se envolvem na sua vida e não o contrário. Por mais apelativo que um partido se torne, por mais aberto, democrático, sedutor que seja, continuará com as sedes às moscas.

E basta ler o texto de Carrilho para perceber porquê. Não que dê as respostas. Mas porque o próprio texto é um sintoma das razões da crise. Em todo o texto Carrilho quase nada se diz sobre política. Sobre política mesmo: opções programáticas e ideológicas. Ou seja, fala da crise dos partidos sem a associar ao conteúdo político dos partidos.

Vamos partir do princípio que as pessoas têm um sentido prático apurado. Que se envolvem na vida pública quando a sua intervenção pode fazer alguma diferença. Que se envolvem na vida partidária quando pensam que o poder político (é disso que os partidos tratam) pode fazer alguma diferença nas suas vidas. Envolvem-se para mudar, quando a mudança parece possível, ou para conservar, quando sentem que algo de muito importante está em perigo. Nas últimas eleições francesas os eleitores foram votar. Havia um combate político duro e relativamente claro. No nascimento da nossa democracia os portugueses envolveram-se na vida política e partidária. Estava em causa o que viria a ser o nosso regime. Quando podem fazer a diferença as pessoas votam, participam e até militam em partidos.

A verdade é que nos últimos anos ninguém consegue descortinar, entre os partidos que podem chegar a poder, nenhuma fractura clara. Mais: tudo é mais ou menos inevitável. Por causa da economia global, por causa da Europa, por causa do que for. O pragmatismo de quem não tenha o "vício da política" faz com que não se envolva excessivamente nela. Porque onde as coisas se decidem a política representativa não intervem e onde ela intervem apenas se gere o que já está decidido. Perante isto, PS e PSD vivem, no essencial, em torno de consensos. Com a chegada de José Sócrates o consenso passou mesmo a corresponder a uma absoluta sobreposição política. É isso que explica o estado comatoso do PSD. As rábulas à volta dos problemas estatutários nada têm a ver com os estatutos do partido. Têm a ver com o facto do PSD estar na oposição e não ter nada para discutir sobre as alternativas que tenha a apresentar à governação do PS. Porque pura e simplesmente não tem alternativas nenhumas. E, na falta delas, dedica-se ao que sobra: aos incidentes processuais.

Na verdade, nada de muito importante se decide com o voto e com a participação partidária. Os programas políticos são no fundamental concordantes e nas eleições apenas se avaliam a competência e a personalidade dos seus protagonistas. Ora, como a falta de dramatismo entre escolhas afasta muitos quadros - que só estão dispostos uma actividade em acelerada degradação de estatuto social se alguma coisa de relevante estiver realmente em causa -, os protagonistas tendem a ser, eles próprios, cada vez mais medíocres. A falta de interesse acentua-se.

Mas há uma razão mais profunda: a privatização das relações sociais. A retirada de poderes sociais e económicos ao Estado (com tendência para um aumento de poderes repressivos e de vigilância), a destruição sistemática das formas de representação social (dos sindicatos, por exemplo), a individualização das relações laborais e a privatização dos espaços públicos retira do centro do combate político o próprio poder de Estado e até o activismo cívico. Essa é a razão principal da crise dos partidos: é uma crise do próprio Estado. E o que é estranho no texto de Manuel Maria Carilho é que, escrevendo fundamentalmente sobre a crise do seu partido, não se aperceba que é, no caso do PS, o enterro definitivo da social-democracia que torna o PS, enquanto organização que deveria estar acima dos seus líderes circunstanciais, completamente inútil. Julgar que um think-tank ou um blogue temático resolve seja o que for é de uma candura surpreendente.

É verdade que Carrilho defende, no fim do artigo, a necessidade de se revigorar os principais valores diferenciadores do PS. Mas para este debate ser qualquer coisa precisava de dizer quais são esses valores e em matérias se deveriam manifestar. E é aí que a porca torce o rabo. Se o dissesse Carrilho teria de fazer duras críticas ao seu próprio partido. Daquelas que o diferenciassem politicamente. Estaria a dar à democracia aquilo que nela tem faltado e de que ela se alimenta: conflito. Porque é no conflito, no programa e no debate em torno do papel do Estado que está a resposta à crise da democracia representativa que se sente nos partidos, mas não só.

setembro 15, 2007

Uma mão lava a outra

Depois do PS se ter calado no caso Somague, suponho que o PSD se calará no caso da "máfia dos bingos".

julho 12, 2007

Corrupção? Legalize It!

João Miranda explica ao senso comum (e o senso comum agradece) que a prisão não resolve o problema da corrupção. Até posso concordar que apenas o atenua. Mas acho que sei onde quer chegar, o que não é difícil, já que venha de onde vier, passe por onde passar, João Miranda chega sempre ao mesmo lugar: com menos Estado há menos corrupção a políticos. Eu iria mais longe: sem Estado nenhum não há corrupção a políticos. É a vantagem do perneta: não tem pé de atleta. Agora, não deixa de ser comovente ver João Miranda pedir para, em vez de optarmos pela repressão, atendermos às causas. E tem razão. Então não é verdade que quem corrompe o faz por necessidade? No fundo, João Miranda é um esquerdista. Só que o politicamente correcto dele é como um clube inglês: só entram sócios.

PS: Ou o João Miranda vai dar uma volta muito grande, ou afinal desta vez vai chegar a um lado muito diferente. Está a tornar-se marxista. Vou começar a chama-lo de camarada, apesar dele agora estar um bocadinho radical demais para mim.